CeleiroAlimentos

Artigos

A alimentação e o Humor - 15/06/2009


O consumo de alimentos que apreciamos pode animar o nosso humor, fazer-nos sentir mais alegres e descontraídos. Contudo, inversamente, o ato de comer alimentos que gostamos pode estar associado a sentimentos negativos de culpa e remorsos. Como podemos reduzir os efeitos negativos e aumentar o impacto positivo dos alimentos sobre o nosso humor?

O ato de comer é um dos prazeres da vida e, sempre que possível comemos os alimentos que apreciamos e evitamos aqueles que não gostamos. Os estudos demonstram que o consumo dos alimentos que mais gostamos pode estimular a libertação de beta-endorfinas, conhecidas por melhorarem o humor. No entanto, o poder atrativo de uma refeição não está apenas relacionado com as suas propriedades organolépticas, dependendo adicionalmente da fome/apetite do momento, das experiências prévias com os alimentos em questão e das circunstâncias sociais que acompanham o seu consumo. Por outras palavras, a escolha do tipo de alimentos acertados, na hora certa, com a companhia indicada, faz-nos sentir bem.

A ânsia por comer, ou os impulsos de comer alimentos específicos são considerados fenômenos bastante comuns. Em função da população estudada, entre 60% a 90% das pessoas interrogadas, admitem ter ânsias por alimentos. Curiosamente, os homens e as mulheres associam estes impulsos de comer, a atitudes e emoções distintas. No caso dos homens, este fenômeno está associado ao resultado da sensação de fome, enquanto que nas mulheres, este impulso é interpretado como sendo um resultado de uma condição psicológica negativa, como o tédio ou o stress. Além disso, as mulheres apresentam uma maior tendência para estados emocionais negativos, de culpa ou remorso, após terem sucumbido à tentação ou impulso de comer determinados alimentos.

Segundo Dr. Peter Rogers, psicólogo experimental da Universidade de Bristol, geralmente um alimento apetecido é um “alimento proibido”, como é o caso do chocolate. Se esse alimento for conscientemente evitado, o desejo de consumi-lo aumenta até que a pessoa não consiga resistir à tentação. A seguir à sua ingestão, os sentimentos de culpa e o remorso instalam-se, motivo pelo qual a pessoa decide não voltar a comê-lo.

Tem sido objeto de estudo, os efeitos dos diferentes nutrientes, contudo, até então, não está claro qual o seu impacto sobre o humor ou disposição. Por exemplo, alguns estudos demonstram que os carboidratos nos fazem sentir descontraído e sonolento, enquanto que outras pesquisas não encontram nenhuma evidência que comprove que este tipo de nutrientes afete o nosso humor. Pode suceder que cada pessoa reaja de forma diferente à sua ingestão, como o que acontece no caso do consumo de cafeína (a sensibilidade à cafeína parece variar entre indivíduos).

Existem pessoas que conseguem ingerir grandes quantidades de bebidas com cafeína, num curto espaço de tempo, sem sentir os seus efeitos, enquanto que, por outro lado, existem outras pessoas que sentem imediatamente os seus efeitos estimulantes com apenas uma pequena porção.

Pode existir uma interação entre os alimentos e os processos químicos do organismo. No entanto não devemos subestimar o impacto das nossas expectativas em relação a determinados alimentos. Por exemplo, se o consumo de um alimento ou bebida específica melhora a nossa disposição ou estado de alerta, mesmo que ingrediente ativo não esteja presente, esta situação verifica-se porque nós esperamos que assim aconteça.

Não há duvida que o sabor dos alimentos e o prazer de comer podem melhorar o nosso humor e o nosso bem estar. No entanto, o poderoso efeito positivo derivado do ato de comer “alimentos que gostamos particularmente, mas que não devemos comer” é normalmente abafado pelo seu efeito de culpa. O Dr. Rogers dá-nos sugestões para conseguirmos obter as vantagens dos efeitos positivos dos alimentos sobre o nosso estado de espírito:

“ A coisa mais importante a fazer é esquecer os sentimentos de culpa ligados à alimentação. Para tal, as pessoas devem aprender a conseguir ter um relacionamento saudável com os alimentos e desenvolver hábitos alimentares saudáveis realistas. Isto inclui formas de gerir o consumo de alimentos favoritos, por forma a maximizar o prazer que eles nos providenciam sem incorrer em excessos”. 
Referências

Drewnowski A (1997) Taste preferences and food intake. Annual Reviews of Nutrition. 17; 237-53.
 
Weingarten HP & Elston D (1991) Food cravings in a college population. Appetite 17; 167-175.
 
Reid M & Hammersley R (1999) The effects of carbohydrates on arousal. Nutrition Research Reviews 12; 3 -23.
 
Flaten MA & Blumenthal TD (1999) Caffeine-associated stimuli elicit conditioned responses: an experimental model of the placebo effect Psychopharmacology 145; 105-112

Fonte: texto extraído do site www.eufic.org

Enviar para um amigo Imprimir

Celeiro Alimentos- Copyright 2008 - Todos os direitos reservados
Fortaleza / CE - Brasil

Desenvolvedor